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Eleiçoes 2026: o voto da revolta e a escolha que temos pela frente
Agora são dois candidatos. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,05% dos votos válidos, contra 45,14% de Lula. No dia 25 de outubro, voltaremos às urnas. Não escolheremos apenas entre Lula e Flávio. Escolheremos entre dois projetos bastante diferentes de país. Vamos falar sobre isso?
Eleições 2026: qual a nossa condição de participação?
Será que conhecemos suficientemente os grandes desafios brasileiros? Sabemos distinguir informações confiáveis daquelas produzidas ou selecionadas para influenciar nossas escolhas? Conhecemos as diferentes interpretações sobre as causas dos problemas e suas possíveis soluções? E sabemos o que os candidatos que disputam nosso voto pensam e propõem diante dessas questões?
Duas visões, dois futuros no horizonte: o que está em jogo?
Nossa democracia é extremamente imperfeita e nos incomoda em muitos aspectos. Podemos reformar a casa e substituir os pilares que já não cumprem sua função. Ou podemos nos alinhar a quem reivindica para si um "poderio militar incomparável". No primeiro caso, o preço é o trabalho de promover as mudanças necessárias. No segundo, é viver à sombra do mais forte e aceitar que nossa democracia e nossa soberania também fiquem submetidas à vontade do mais forte.
Conhecimento em Foco #1 Democracy Report 2026: por que este relatório merece nossa atenção?
A principal mensagem do relatório é sintetizada na expressão The Great Reversal – A Grande Reversão. Os autores mostram que os avanços conquistados durante a chamada Terceira Onda de Democratização, iniciada em 1974, vêm sendo gradualmente revertidos pela Terceira Onda de Autocratização, que tem sido percebida por estudos e pesquisas internacionais a partir do início dos anos 2000.
A lógica invisível da corrupção sistêmica: o pacto do campo de poder brasileiro
Os dados mostram que, após importantes leis — responsabilidade fiscal, transparência, acesso à informação, combate à corrupção e cooperação premiada — e o desvendamento de sucessivos escândalos e investigações de grande impacto, especialmente depois dos anos 2000, o país permanece preso ao lodo do equilíbrio institucional particularista que domina o campo de poder. Ir ao cerne do problema é admitir que a corrupção no Brasil não é resultado de desvios individuais de agentes corruptos. Trata-se de um equilíbrio instável entre regras formais e práticas espúrias. O caso Master não é uma exceção; é apenas o caso da vez. A pergunta que se coloca é: como alterar esse contexto perverso?
Fundamentos da participação social e as estratégias para o agir coletivo
Assim, a pergunta central deixa de ser “participar ou não participar”. As questões decisivas são em qual dimensão queremos agir, com qual intensidade e com qual responsabilidade sobre os efeitos que produzimos no mundo coletivo. Porque, em última instância, não enfrentar essas questões é também uma escolha - que quase sempre favorece os mais poderosos.
Retomar o fôlego em tempos de ruptura: o balanço entre engajamento e contemplação
A ruptura com uma focalização mental constante em demandas sociais me permitiu o acesso com mais profundidade a uma condição de superação de diálogos internos que se impõem à nossa revelia, como consequência das externalidades do mundo. Silêncio de alma, profundo
8 de janeiro de 2023: o dia que não acabou…
O julgamento dos golpistas não está eliminando a ameaça. A extrema-direita brasileira segue mobilizada, agora com apoio explícito de Donald Trump e de seus colaboradores em cargos estratégicos nos Estados Unidos. A aliança entre Trump e Bolsonaro é mais que afinidade ideológica: representa a decadência de democracias que permitem o uso de instituições em nome de interesses pessoais e extremistas.
Entre força e fragilidade: o julgamento da trama golpista e o futuro da democracia
O julgamento atual evidencia a tensão entre o cumprimento formal da lei e a instrumentalização da justiça por grupos de poder. Se é verdade que o sistema judiciário brasileiro responde aos ataques à ordem constitucional, também é fato que narrativas antagônicas entre grupos políticos, a ausência de debates apartidários consistentes e sinais de acordos de bastidor produzem percepções de seletividade e reforçam a polarização.
Sapatos Furados, Caminhos Livres
Uma frase na camisa do jovem que me atende atiça minha imaginação: “O sistema não é falho, ele é programado para o seu fracasso.”
Trump e a diplomacia da chantagem da extrema-direita: até onde vai o silêncio do mundo?
Em 1940, diante da ameaça nazista, Churchill não apenas enfrentou Hitler — enfrentou o próprio Parlamento britânico. Parte dos parlamentares defendia um acordo de paz para “preservar vidas” e “evitar destruição”. Na prática, significaria ceder à lógica nazista e aceitar uma posição submissa ao arranjo extremista. Churchill enxergou o que estava em jogo: o futuro da civilização democrática. Por isso, contra todas as pressões e perigos, pronunciou as palavras que entraram para a história: “Lutaremos nas praias, lutaremos nas colinas, nunca nos renderemos.”
Oitenta e cinco anos depois, a civilização democrática está sob ameaça e não há clareza de como o risco será enfrentado.
Entre Ícaro e a Fênix: o impasse político e a chance de reconstrução
Empoderado por emendas impositivas, o Congresso alça voa, mas tal como Ícaro, pode cair alimentado pela ilusão de que não precisa mais negociar. Já o Executivo, como Fênix, tenta renascer de seus próprios limites: abandona a estratégia da conciliação a qualquer custo e aposta em denúncia pública.
A opinião pública não existe - e a nossa, existe?
“Opinião pública não existe”, escreveu Pierre Bourdieu em 1973. Essa afirmativa deriva de três argumentos: pesquisas de opinião são enviesadas metodologicamente; a capacidade de reflexão necessária à formação de opinião não está ao alcance de todos; e grupos de interesse no campo de poder moldam o que conhecemos como “opinião pública”. A edição da Folha de São Paulo de 28/6/2025 ilustra bem o que é subliminar ao mais visível.
Desalento democrático: trapaça, medo e o avanço sombrio da extrema-direita
No horizonte, o desalento pode não ser o desfecho. O mal triunfa quando todos se calam. E o mundo talvez não se cale: jovens ocupam universidades pelo fim do genocídio em Gaza; mulheres palestinas resistem sob as bombas; grupos religiosos progressistas, incluindo judeus e cristãos, denunciam o extremismo e defendem a compaixão e a paz como caminho para a humanidade.
A disputa pelo orçamento público: um jogo que a sociedade civil pode e deve jogar
O orçamento público é campo de disputa. Em um ambiente de pouca transparência para a sociedade civil, interesses do mercado e da política institucional tendem a prevalecer — mesmo quando contrariam as necessidades da população.
Relação simbólica entre sociedade e Estado: o que o Senado está cultivando?
Duas mulheres foram ao Senado nas últimas semanas. Marina Silva, dia 27/6, e Virgínia Fonseca, no dia 13/5. A forma como foram tratadas expõe muito mais do que posturas individuais dos senadores: revela disputas simbólicas profundas sobre os valores que estão sendo legitimados no espaço político.
É o Meio Ambiente, Estúpido!
A frase “É a economia, estúpido!” foi cunhada por James Carville, para destacar o peso da economia nas eleições. Porém, talvez seja hora de atualizá-la. O planeta está no seu limite, sem que a lógica do lucro ceda espaço nos processos decisórios. Sem meio ambiente, não há economia. É estupidez!
LDO2026: por que se dar ao trabalho de aprender sobre o assunto e participar?
Influenciar nos debates na arena pública exige compreender o básico sobre orçamento público (…) O momento agora é da LDO. Trata-se instrumento estratégico de disputa por recursos públicos e controle estatal e social. Mesmo com essa importância, permanece invisível para grande parte da população!
INSS: o golpe contra aposentados e o espelho de uma democracia fragilizada
O recente escândalo no INSS expõe, mais uma vez, a face cruel da corrupção sistêmica que assola a nossa democracia. As fraudes revelam, além do golpe bilionário contra uma população fragilizada, o funcionamento perverso de regras informais que coexistem com os dispositivos legais e são amplamente conhecidas por agentes públicos e privados. No imaginário coletivo, predomina a crença de que “é assim que as coisas funcionam”.
Fratelli Tutti: o legado político de Francisco que o mundo não pode ignorar
Publicada em 2020, em meio à pandemia, a encíclica Fratelli Tutti (Fraternidade e Amizade Social) reconhece que as democracias contemporâneas enfrentam uma crise estrutural: avanço de tendências autoritárias, captura do poder político por interesses privados, enfraquecimento da participação popular e fragmentação do tecido social.
A mensagem traz a urgência de enfrentamento da colonização das democracias pela lógica de mercado que esvazia o compromisso com os vulneráveis.